Um funcionário de banco consultou milhares de contas durante dois anos sem invadir sistema nenhum.
A Intesa Sanpaolo disse que não houve ataque de fora. O funcionário tinha autorização para olhar dados de conta e, segundo a investigação, usou isso cerca de 6.600 vezes.
InsiderPromotores em Bari investigam um funcionário da Intesa Sanpaolo, o maior banco da Itália, lotado numa agência em Bitonto, na área de negócios agrícolas. Entre fevereiro de 2022 e abril de 2024 ele teria consultado dados de conta corrente de cerca de 3.500 clientes, incluindo a primeira-ministra Giorgia Meloni e o antecessor Mario Draghi. A Intesa disse que não houve invasão: a pessoa tinha autorização para ver aqueles dados, porque a análise de crédito de empresas muito pequenas passa pela conta.
O controle interno disparava quando uma mesma conta era aberta vezes demais. Não havia alerta pelo volume de consultas de um funcionário autorizado, que no dia a dia faz centenas de operações. As cerca de 6.600 consultas se espalharam por uns 500 dias úteis. Uma pessoa próxima ao caso disse à Reuters que, pelas checagens internas, nada foi baixado.
Quando o sistema apontou anomalia, o banco abriu processo disciplinar, suspendeu o funcionário e avisou a autoridade de proteção de dados. Depois da análise, demitiu a pessoa por violações graves e repetidas das regras internas e levou o caso aos promotores. Também pediu desculpas em público e criou uma divisão de segurança.
Autorização não é abuso até o dia em que é. Alerta de volume por conta não vê quem abre mil contas diferentes, devagar. O que falta é a regra do que aquele cargo pode consultar e a revisão que compara o acesso com o trabalho de verdade.


